terça-feira, janeiro 10, 2006

Tema para um amanhecer quase imaginário.

Podemos sentir a manhã orvalhada a nos trazer do sonho, ver o dia clarear montanhas, avenidas e despertar, onibus, trens, botequins, bancas de jornais, prédios, vilas e padarias, pessoas ainda quase sonâmbulas, elevando-se, atravessando ruas e pedindo médias com pão e manteiga, atônitas com as noticias dos crimes da cidade, atrocidades classificadas como venda de carros e imóveis....cadaver esquecido na esquina enrolado para presente em fita crepe...orações ao sol e apartamentos com torneiras folheadas a ouro.

Atrasados no ponto de onibus muitos perdem suas caronas, e no trem dormem ao som dos tatás dos trilhos....como crianças pequeninas, alheias à mão que balança o berço....olhos úmidos limpam-se das remelas emocionais reveladas pelo sonhador; inconsciente...de dia denovo, a luz permeia as escuridões internas e parte para atividade correndo atrás de um onibus cheio de expectativas, competições e noites mal dormidas em desilusão ou folias amorosas....decepções mastigadas durante o dia em salas sem janelas, ambientadas pelo congelar do ar condicionado e o teclado, comunicação quase que corriqueira aos usuarios de janelas....que admiram-se com aquarios redondos que enlouquecem peixinhos japoneses, vermelhos e dourados...enquanto os ventos do sudoeste acariciam corpos que recolhem roupas e esfregam camisas, calças apagando as manchas do detergente e a sujeira não filtrada das maquinas cansadas e engatilhas pela pobreza à se automatizar.....pão com manteiga na chapa e o discurso sobre o colesterol e o entupimento das artérias....mais um dia pensado, como menos um dia, perdido em sua glória, cheio de erros de grafia, falta de virgulas e acentos...ledo engano.

Sol atrás de nuvens num horizonte escondido por prédios, elevadores, camas e alcovas temporárias, berço de meninos e meninas, presas faceis aos lezares da paixão....don't hate us...feel that morning...o cheiro das ruas e o amanhecer asfáltico, suburbano, impregnado de falsas maresias...e do molho que ainda não borbulhou, indicando o que irá preencher a marmita, com o que fará a energia do dia...quando nos sentar-mos no refeitório, para nossas restaurações... saboreando sobremesas padronizadas com muito açúcar e refrescos super gelados com sabor de drops de lima/limão....todos em um, um em todos, igualados pelo gosto que carece de tempero...apertando parafusos imaginários neste mundo moderno....esquecendo a cor da manhã que se perde pela tarde de calor desértico.

Air guitar:
And Love Said No - HIM

Despertadores sem pilhas,
óbviamente não funcinarão!!

Um comentário:

leila disse...

Há tempos o mundo perde a cor da tarde, mas há sempre olhos para tanto. Nem que sejam poucos, nem que sejam breves.
Beijo