domingo, janeiro 01, 2006

Introspectiva (Maybe I'm Amazed)



- Não traduzo lírismos, não me importo, nada, nunca me foi lírico ou da cor que sonhei, sempre estive cercado de dúvidas e dores, num inexato caminhar em direção a confusão da minha compreensão, nunca disse o que os outros queriam ouvir, sempre tive que escutar o que não imaginei ter que ouvir, e certamente a coisa mais lógica que disse foi o grito primal na hora em que nasci...enquanto os anos foram passando fui me alargando esquecendo o que foi, remoendo dores/alegrias, remorsos/gratidões e incertezas/razões de minha natureza...fui passando como os dias passaram por mim, sempre a acreditar em mim e à buscar entender minhas inquietações, na verdade, nunca quis que alguém as entendem-se-nas, mas desde cedo escrevi frases para entendê-las e conhecê-las...some, kind of wonderful!..., nunca soube sofisticar a linguagem; foi sempre assim como canto da felicidade em boca maledicente; mas meus olhos me ensinaram a enxergar o dedo que indica a lua e o vácuo entre eu e os horizontes que persigo, passo à passo, atravessando noites e dias....não só com as minhas pernas mas, as vezes acompanhado de outras, porém, sempre apoiado nas minhas próprias pernas, levei muito tempo para escrever próprio, escrevia sempre propio, assim como gastei o mesmo tempo aprendendo a subverter a ordem, não num sentido micro-cósmico, mas, no macro-cosmo ...inconformado, com a negação à muitos o que é ou era para ser de todos, acentos me confundem acho que a linguagem poderia ser mais emocional e permitir a todos as dádivas da expressão; Urge! democratizar o processo criativo à exaustão, sempre me permiti parecer contraditório, até que deparo a afirmar-me multidões....nunca esperei muita coisa, mas sempre quis muito de tudo.

Caminhei com pernas tortas por esquinas e encostas, desci montanhas ouvi, U2 até odiar, assim como este montão dos melhores do ano etc e tal, participações especias e duetos tecnológicos via IpFonia.....gosto de música nos auto falantes não cultuo nada, senão a música que me acompanha nesta dança pelo teclado, gosto do silêncio a minha volta, ele soa como o momento de inércia entre o inspirar e expirar...(soar [,] soei)..milhões de vezes por dia me preenchendo de hálito e inexistires fulminantes....Binário de nosso código, não lembro direito se o cheiro da cidade mudou nos últimos anos, mas tenho a perfeita recordação do cheiro desta quando voltei para casa de longe....ansioso por olhar às montanhas que sempre me impressionam por se renderem e renderem o sol!.....a prefect circle!.....feitos os mitos que devoram-se a si mesmo, em todas as culturas e formas da expressão que criam o fenomeno: conhecimento....desde então, o conhecimento torna-se poder...a idéia não é ser incendiário; só explorar as possibilidades que posso reconhecer e compreender. Não!. Contradições mas, o que é comum; ao comum!...sem muita sofisticação...sabe, fácil como beber água para matar a sede....seguir em frente....ter certeza que o mais importante é o que é, não o que será ou o que foi....uma pandemia de insights, brotando n'olho d'água d'alma....anima mundis!

Às vezes atravesso a noite de olhos abertos, assustado como uma criança...imaginando alguma tristeza e o tamanho de minhas incertezas, remoendo minhas picuinhas emocionais me pego curioso ao incentivar o fato, para observá-lo como quem finge não jogar o jogo....gosto de ler coisas estranhas, subversas desestruturadas como o caos que a tudo permeia ocupando-nos à ordená-lo..reject the sistem!....fica ressoando dentro de meus ouvidos dando-me a exata medida de minha dissidência...outras bocas falam o que não posso afirmar, me dizem sobre suas vidas me encantam por não serem eu e parecerem tão sem arranhões, superiores as minhas certezas incertas de si.....não falo melancólico, vou indo como um barco rústico à maré...hora esbarrando in margens, seguindo o caminho do rio querendo saber porque me rio de mim....vou assim compondo meus absurdos....desinventando o que me estrutura, para ter que me reinventar de novo....quantas vezes for necessário ou então, até quando perdurar o alumbramento das naturezas que me cercam...a new year yesterday!

Air Guitar:
The Dead Heart - Midnight Oil
I Got a Fist Full


Um comentário:

leila disse...

Absurdos passos ainda me deixam perplexa diante da vida, mas corro atrás de cada pedaço que acalenta a alma, você e sua contradição conferem a liberdade de irmos adiante sempre e apesar.Um ano aberto, presença, poesia, desejos bons. Beijo meu,